Ritmo Sinusal: ritmo normal do coração

Ritmo sinusal é uma coisa básica, mas tem muita gente que tem dúvida. Em vista disso, este post abordará o conceito, a forma de identificação e sua importância.

Conceito de ritmo sinusal

O ritmo sinusal é o ritmo normal do coração, ou seja, é o ritmo mais comum que se identifica no eletrocardiograma. Graças a isso, cerca de 80% dos eletros da humanidade tem esse ritmo.

Para entender, o ritmo sinusal é aquele que é formado no nó sinusal, isto é, em uma região especializada em condução e formação de estímulo elétrico, que fica no ápice do átrio direito do coração.

Nessa região, existem fibras que são especializadas por conta da possibilidade de terem automatismo. Então, sozinhas, elas conseguem disparar potenciais de ação e esses vão do nó sinusal até o nó atrioventricular. Daí descem entre as fibras de rins e purgins e depois para os ventrículos.

Resumindo a explicação anterior, tudo se forma no nó sinusal e ele comanda. E por que o nó sinusal é quem comanda a maior parte das vezes? Ele comanda porque é o mais rápido. E no nosso coração quem for mais rápido é quem manda!

Capacidade de automatismo

Como já mencionado, o nó sinusal comanda por ser mais rápido mas, esta característica é devida à sua capacidade de automatismo.

Um bom exemplo, são os filmes de emergência ou de transplante cardíaco, em que o médico retira o coração de um lugar para colocar em outro paciente. Se prestar atenção, verá que o coração continua batendo. Note que ele já foi retirado e não tem mais nenhum fio ligado a ele. É a capacidade de automatismo agindo.

Identificação do ritmo sinusal

Considerando ser o ritmo sinusal, o ritmo cardíaco normal como já mencionado, quem sabe identificá-lo, consequentemente sabe identificar o ritmo da maioria dos eletros. Portanto, é evidente que se trata de algo de altíssima valia.

Recapitulando: ao formar o estímulo elétrico, quando a carga elétrica passar pelo coração, formará vetores. Quanto à formação destes, existem algumas alterações visíveis no eletro. Vejamos:

A primeira é em relação à onda P, que representa a contração e despolarização atrial. Em derivações D1, D2 e AVF a onda P será positiva, ou seja, estará acima da linha de base. Então, P positivo em D1, D2 e AVF fala a favor de ritmo sinusal.

Assim, em AVR, a onda P tem que ser negativa; e no V1, ela vai ter uma porção positiva e uma posição negativa. Faz um “s” pra cima e um “s” para baixo – padrão que chamamos de plus minus ou mais menos. Em V1 também acontece no ritmo sinusal.

É possível que surjam dúvidas na hora da identificação ou por falta de prática, ou por conformação dos vetores que, ao invés de ficar positivo, fica menos positivo, mais achatado.

Porém, para que o ritmo seja sinusal, a onda P tem que ser positiva em D1, D2 e AVF, negativa em AVR e mais menos em V1. Esse é o ritmo normal do coração. Quando o ritmo é sinusal, na grande maioria das vezes, vai ser regular.

Contudo, na prática não é necessário sempre olhar essas cinco variações para dizer se o ritmo é sinusal. Deve sempre se olhar o D2: se houver onda P que está conduzindo, P precedendo que é RS, antes do D2 está certinho. Então, o ritmo é sinusal!

Portanto, é necessário saber todo o critério. No entanto, é possível um ritmo sinusal ser irregular.

Ritmo sinusal irregular

Quando se respira fundo, a frequência respiratória muda e consequentemente, a frequência cardíaca também. Então o ritmo é irregular. Continua sendo sinusal, mas ficou irregular.

Em pacientes que são magrinhos, longilíneos e altos, pode aparecer algo que se chama arritmia sinusal respiratória – que é a variação da respiração gerando alteração na frequência cardíaca.

Esclarecendo melhor, nada mais é que uma alteração benigna da frequência cardíaca pela respiração ou ainda, em outras palavras, como sugestão de laudo: variação da frequência cardíaca pela respiração (normal)

Em outro exemplo, quando o paciente tem extra sístole ele vai apresentar uma irregularidade. Tanto extra sístole atrial quanto ventricular vai gerar no paciente uma irregularidade, mas o ritmo continua sendo sinusal.

Isso não tem nada a ver com fibrilação atrial. Fibrilação atrial é um outro tipo de alteração no coração e, existe irregularidade na grande maioria das vezes.

Então, o padrão para que o ritmo seja sinusal não é quanto à regularidade, é se a onda P é positiva em D1, D2 e AVF, negativa em AVR e mais menos em V1.

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